terça-feira, 13 de setembro de 2011

Como a qualidade da água afeta a saúde humana?

A qualidade da água é fundamental para garantir um ambiente saudável e a saúde humana. A exigência básica por pessoa por dia é de 20 a 40 litros de água livre de contaminantes nocivos e agentes patogênicos, para os fins de água potável e higiene.

Em muitos países, no entanto, a quantidade de água necessária por dia para beber e o esgotamento sanitário não possuem a qualidade requerida. Países em desenvolvimento em fase de rápida urbanização sofrem com a falta de redes de esgoto, o que resulta na contaminação da água potável, tornando-se uma das principais causas de doenças e morte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 4 bilhões de casos de diarréia por ano, além de milhares de outros casos da doença, estão associados com a falta de acesso à água com qualidade segura para consumo humano. Por ano 2 milhões de pessoas morrem como resultado de diarréia, a maioria delas crianças menores de cinco anos de idade. A saúde humana é gravemente afetada por doenças relacionadas à água (por vias navegáveis, alimentos lavados com água, etc), bem como pela poluição química da água.

Apesar da melhora progressiva na oferta de saneamento básico, desde 1990, o fornecimento de água potável e esgotamento sanitário, para grande parte da população humana, continua sendo um desafio. Hoje, 1,1 bilhão de pessoas ao redor do mundo ainda não têm acesso ao abastecimento de água tratada e mais de 2,6 bilhão de pessoas carecem de esgotamento sanitário. Melhorias no saneamento têm sido menos observadas nas áreas rurais do que nas zonas urbanas.

2 milhões de pessoas morrem por ano devido á água contaminada

Pelo menos 2 milhões de pessoas, principalmente crianças com menos de 5 anos de idade, morrem por ano no mundo devido a doenças causadas pela água contaminada. Porém, os problemas podem ser evitados por meio de políticas públicas eficientes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Para os especialistas, o ideal é adotar um plano de gestão de água potável de qualidade.

O coordenador de Água, Saneamento, Higiene e Saúde da OMS, Robert Bos, destaca que os males causados pela água contaminada atingem países desenvolvidos e em desenvolvimento. “Isso deixa claro que a maioria desses [problemas] poderia ter sido evitada por meio da implementação dos planos de segurança em água.”

A OMS dispõe de um plano denominado Planejamento de Água Saudável, que define uma mudanças na gestão da água potável em vários países. A ideia é incluir procedimentos de segurança para assegurar a qualidade da água usada na alimentação e orientações à população. Também há recomendações sobre os riscos envolvidos.

De acordo com o estudo, é necessário que as autoridades estejam atentas às mudanças climáticas, que provocam alterações de temperatura da água, e às ameaças de escassez do produto. Há, ainda, a preocupação com o controle no uso de substâncias químicas para o armazenamento de água potável.

"Os países têm a oportunidade de fazer progressos substanciais para a saúde pública por meio da definição e aplicação de normas eficazes e adequadas para assegurar água potável", disse a diretora da OMS para Saúde Pública e Meio Ambiente, Maria Neira.

Para o diretor executivo da Agência Nacional de Águas de Cingapura, Khoo Teng Chye, o fornecimento de água potável é um dos principais pilares da saúde pública. Segundo ele, as novas orientações devem seguir os princípios da prevenção e qualidade da água potável.

Fonte: Agência Brasil, 5.7.2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Investimento anual no setor hídrico de 0,16% do PIB mundial

Um investimento anual no setor hídrico de 0,16% do PIB mundial – o equivalente a 198 bilhões de dólares – poderia diminuir a escassez de água e reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso sustentável à água potável e aos serviços de saneamento básico.

As informações são do Relatório sobre Economia Verde, lançado em 25 de agosto em Estocolmo pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) durante a Conferência da Semana Mundial da Água.

A falta de investimentos em serviços hídricos, de coleta, tratamento e reutilização eficiente da água resulta na redução de reservas aquíferas em várias partes do mundo e contribui para uma situação em que a demanda global por água poderia ultrapassar a oferta num período de 20 anos.

Camboja, Indonésia, Filipinas e Vietnã são alguns dos países cujas perdas causadas pela deficiência no serviço de saneamento básico alcançam cerca de US$ 9 bilhões por ano ou 2% do PIB total combinado.

Segundo Achim Steiner, Sub-Secretário geral da ONU e Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), “otimizar o acesso à água potável e serviços de saneamento básico é fundamental para uma sociedade mais sustentável e de uso mais eficiente de recursos”. Caso não haja êxito na promoção do uso mais eficiente da água, a demanda por água pode ultrapassar a oferta em 40% até o ano de 2030.

Otimizar a produção de água, assim como aumentar o abastecimento por meio de novas represas, plantas dessalinizadoras e reciclagem pode diminuir essa lacuna em até 40%. No entanto, os 60% restantes deverão ser compensados a partir de investimentos na infraestrutura, reformas na política de recursos hídricos e desenvolvimento de novas tecnologias.
Fonte: ONU Brasil, 2.9.2011

Parâmetros Biológicos da Água

a) Coliformes: são indicadores de presença de microrganismos patogênicos na água; os coliformes fecais existem em grande quantidade nas fezes humanas e, quando encontrados na água, significa que a mesma recebeu esgotos domésticos, podendo conter microrganismos causadores de doenças.

b) Algas: as algas desempenham um importante papel no ambiente aquático, sendo responsáveis pela produção de grande pane do oxigênio dissolvido do meio; em grandes quantidades, como resultado do excesso de nutrientes (eutrofização), trazem alguns inconvenientes: sabor e odor; toxidez, turbidez e cor; formação de massas de matéria orgânica que, ao serem decompostas, provocam a redução do oxigênio dissolvido; corrosão; interferência nos processos de tratamento da água: aspecto estético desagradável.

Padrões de qualidade da água
            Os teores máximos de impurezas permitidos na água são estabelecidos em função dos seus usos. Esses teores constituem os padrões de qualidade, os quais são fixados por entidades públicas, com o objetivo de garantir que a água a ser utilizada para um determinado fim não contenha impurezas que venham a prejudicá-lo.
Os padrões de qualidade da água variam para cada tipo de uso. Assim, os padrões de potabilidade (água destinada ao abastecimento humano) são diferentes dos de balneabilidade (água para fins de recreação de contato primário), os quais, por sua vez, não são iguais aos estabelecidos para a água de irrigação ou destinada ao uso industrial. Mesmo entre as indústrias, existem requisitos variáveis de qualidade, dependendo do tipo de processamento e dos produtos das mesmas.
Uma forma de definir a qualidade das águas dos mananciais, é enquadrá-los em classes, em função dos usos propostos para os mesmos, estabelecendo-se critérios ou condições a serem atendidos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

R$ 3,6 milhões repassados pelo Ceivap para investimentos em tratamento de esgoto

Na última semana, duas propostas enviadas pela Cesama para o Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap) para captação de recursos foram aprovadas, totalizando R$ 3.675.035,04 para investimento em tratamento de esgoto. Esta conquista é um importante passo para a continuidade das obras que buscam aumentar a porcentagem do efluente tratado na cidade.

No total, foram disponibilizados R$ 31,5 milhões para investimentos na bacia do Rio Paraíba do Sul, da qual o Rio Paraibuna faz parte. Os recursos são provenientes da cobrança federal pelo uso da água na bacia, iniciada em março de 2003. Neste processo, compete à Agência Nacional de Águas (ANA) operacionalizar a cobrança da água em rios de domínio da União e repassar os recursos arrecadados integralmente à Agência de Bacia do Rio Paraíba do Sul (Agevap). A Agevap, por sua vez, lança edital para os interessados na captação de recursos, e o Ceivap analisa as propostas, deliberando os valores.

Os dois projetos da Cesama que foram contemplados tratam da implantação da segunda etapa do sistema de coleta e tratamento de esgoto da ETE Barreira do Triunfo, com total de R$ 2.834.122,79, e da instalação do coletor tronco CT 7 (segunda etapa) em Benfica, que irá direcionar o esgoto coletado para a ETE Barbosa Lage, aumentando sua vazão, com a soma de R$ 840.912,25. Segundo o assessor de Gestão Ambiental da Cesama, Paulo Afonso Valverde Júnior, estes investimentos fazem parte do plano para tratamento de esgoto em Juiz de Fora, que também atendem aos interesses do Ceivap quanto à melhoria da qualidade da água na bacia do Rio Paraíba do Sul. “Esta ação está contribuindo para a solução do tratamento de esgoto na Zona Norte da cidade que vem recebendo, ainda, outros investimentos da Cesama para este fim.”

Os tomadores que tiveram suas propostas deliberadas serão convocados para a assinatura do contrato a partir do dia 27 de setembro. Para conferir a lista das propostas habilitadas, basta acessar o site do Ceivap www.ceivap.org.br/downloads2011/publeditalselecao.pdf.


Reunião entre Cesama e Igam

Em reunião na Cesama na última sexta-feira, 26, a coordenadora do Programa Águas de Minas do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Katiane Cristina de Brito Almeida, apresentou o projeto de monitoramento da qualidade das águas superficiais no estado de Minas Gerais, com destaque para as águas do Rio Paraibuna. A coordenadora fez uma comparação dos resultados do Índice de Qualidade da Água (IQA) de 2004 a 2010 para os pontos de monitoramento que operam em Juiz de Fora. Dentre os parâmetros analisados, evidenciou-se que os resultados de oxigênio dissolvido (OD) e demanda bioquímica de oxigênio (DBO), que estão diretamente relacionadas ao esgoto doméstico, apresentaram melhoria, principalmente, na Zona Norte da cidade, onde são operados os sistemas das ETEs Barreira do Triunfo e Barbosa Lage. Atualmente, a Cesama trata 12% do esgoto coletado na cidade. Em janeiro de 2009, esse índice era de apenas 1%.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Riscos aos mananciais


Grambow falou inicialmente sobre a situação climática, da energia, da água, da alimentação e dos recursos hídricos, alertando para as ameaças e as crises, como a contaminação dos aquíferos e os problemas no mercado financeiro que podem afetar toda a humanidade, Depois, abordou os casos práticos de bom uso dos recursos hídricos na região da Baviera, na Alemanha.

Demonstrando profundo conhecimento da realidade brasileira, Grambow mostrou problemas como favelização, contaminação do solo e desmatamento, que são ameaças para as futuras gerações. Destacou a importância da cooperação entre as nações e se colocou à disposição para cooperar.

A convite da Casal, o professor Martin Grambow, da Universidade Técnica de Munique, Alemanha, fez palestra quinta-feira (4) no auditório do Sinduscon, em Maceió, sobre Gestão Integrada de Recursos Hídricos. A paletra foi dividida em duas partes.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Hepatite A atinge mais crianças pobres

Hepatite A atinge mais crianças pobres, alerta Drauzio Varella

A doença é transmitida por água e alimentos contaminados pelo esgoto. É característica dos locais onde falta saneamento.

Nos últimos domingos, você tem acompanhado, no Fantástico, o alerta do doutor Drauzio Varella para uma epidemia ignorada. Uma doença que milhões de brasileiros têm e não sabem: a hepatite, em seus diferentes tipos. No último episódio da série Hepatites, epidemia ignorada, o doutor Drauzio vai tratar da hepatite tipo A, que atinge principalmente crianças em regiões pobres do país.

“Quando foi na segunda, terceira semana de setembro, foram surgindo os casos. Foi aumentando e a gente detectou que, realmente, não era uma coisa normal”, explica a agente de saúde Claudemora Ramalho.

Em Teixeira, no sertão da Paraíba, em setembro do ano passado, começaram a surgir os primeiros casos de hepatite A, que é muito diferente das hepatites B e C. Ela é transmitida por água e alimentos contaminados pelo esgoto. É uma doença característica dos locais onde falta saneamento, como é o caso de Teixeira.

“Meu filho começou com sintomas de hepatite há um mês, mais ou menos. A nossa água de consumo vem da chuva e do caminhão pipa, que abastece aqui. A gente lava o reservatório uma vez ao ano para poder colher a água da chuva”, conta uma mulher.

Claudemora Ramalho, agente de saúde, está empenhada em descobrir o foco de transmissão da hepatite A: “Nós vivemos em uma região que não tem chuva constante, a água que é encanada é racionada, então todo mundo precisa ter reservatório em casa. Nessas redes, nessas cisternas, que a gente está detectando um maior problema, porque a água que é encontrada na cisterna, que é coletada, ela não está própria, ela está insatisfatória. E a gente acredita que é por falta de limpeza nessas cisternas”, explica Claudemora.

Para chegar às cisternas, a água da chuva cai pelo telhado em uma calha e vai para uma tubulação, que leva direto à cisterna. Nela, a água da chuva fica coletada e serve para a família beber. O certo seria lavar a cisterna a cada seis meses. Mas como fazer isso? Para lavar a cisterna precisa esvaziar, esvaziar seria jogar a água fora. Mas a água é uma preciosidade nessa região, então as famílias acabam não lavando essas cisternas.

Como a gente pode se defender da contaminação? A melhor forma é: toda vez que você for mexer com água da cisterna, antes lave a mão com água e sabão. E lave também o balde que vai ser usado para retirar a água, com água e qualquer sabão.

Exames feitos na água das cisternas mostram que ela estava contaminada.

Dos três filhos do agricultor Damio Jos Alvez, Vitória foi a única que teve hepatite: “Eu percebi que ela estava doente quando a minha mulher percebeu que ela estava com a urina diferente e falou para mim. Ela ficou com uma urina meio vermelha, e o olho ficou um pouco amarelo”, conta Damio.

O olho amarelo é chamado de icterícia. “Quando você se infecta com o vírus da hepatite A, o vírus se replica no intestino, penetra, vai para a corrente sanguínea e passa a se replicar no fígado. No fígado, ele causa lesão, o que dá ao indivíduo sensação de mal estar, náusea. Cerca de 20% a 30% desenvolvem icterícia, os olhos amarelos, ou a colúria, que é a urina escura. Na Bahia se fala muito ‘cor de azeite de dendê’ ou ‘cor de guaraná’ também”, explica o hepatologista Raymundo Paraná.

O agricultor Damio José Alves questiona o Doutor Drauzio: “Doutor, só uma perguntinha, por favor. E hepatite mata?”. “Muito difícil. A hepatite A é uma doença muito benigna, especialmente nas crianças pequenas. Adultos, mulheres grávidas, pessoas mais velhas, uma pequena porcentagem, um pequeno número de casos têm o que a gente chama de hepatite fulminante, que é muito grave, evolui depressa e tem mortalidade alta. Mas geralmente a hepatite A tem uma evolução benigna, é uma doença que acaba bem”, explica Drauzio Varella.

Nessa série falamos sobre as hepatites, um problema de saúde pública muito grave. Você viu que as hepatites B e C são transmitidas, principalmente, por instrumentos contaminados, mas também pelo sexo e para o bebê na hora do parto. Hepatite B tem vacina, a A também, mas não existe vacina contra a hepatite C.

Como as hepatites B e C podem se tornar crônicas é fundamental fazer o exame de sangue para saber se você é portador do vírus. Se for, pode ser tratado gratuitamente pelo SUS e ficar livre da doença. Faça o exame.

Fonte: Fantástico, 7.8.2011